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A CABALA DO DINHEIRO,DA INVEJA E DA COMIDA SEGUNDO O RABINO NILTON BONDER

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A CABALA DO DINHEIRO,DA INVEJA E DA COMIDA SEGUNDO O RABINO NILTON BONDER


Rabino da Congregação Judaica do Brasil, Nilton Bonder sintetiza nesta obra a visão que tinham os rabinos, apresentando conceitos baseados em um provérbio talmúdico, que afirma que uma pessoa se faz conhecida através de seu copo, seu bolso e da sua ira. 


A palavra Cabala ou Kabbalah é de origem judaica e significa "receber conhecimento."


'A Cabala do Dinheiro' é um livro escrito pelo Rabino Nilton Bonder.


Não dá dicas para enriquecer facilmente.
Não ensina o egoísmo e a busca exagerada por riqueza.
E não é uma boa leitura para pessoas que estão procurando algum manual de Cabala, de Finanças ou sobre Enriquecimento.


Mas é uma ótima leitura.


Este livro me chamou a atenção porque estava na categoria de Economia da livraria, não resisti.


O livro usa os termos de Economia e termos de origem judaica para falar de como podemos viver melhor.


Entre as frases e explicações que mais chamam a atenção:

  • Gesheft (Negócios) são sagrados:

"Sagrado é o instante que dois indivíduos fazem uso da consciência para fazer uma troca que otimiza ganho para os dois."

A explicação é que ao fazer bons negócios que geram a relação ganha-ganha e não geram destruição ao ambiente, estamos enriquecendo o mundo e gerando sustento e oportunidade de mais negócios.

  • Ossek,  Guezel (opressão, saque no sentido de roubar):
Roubo de tempo
Algumas vezes detemos o poder de liberar algo ou alguma
informação e por razões que nem sempre são claras,
acabamos postergando.
Estas situações causam constrangimento e mágoa.
Desta maneira deixamos o mercado mais pobre e
isto atrai algo negativo para a vida.

Roubo de informação
Quando deixamos de dar uma informação importante
para alguém ou damos a informação pela metade.
Isto enfraquece o mercado e atrai pobreza neste e no outro
mundo.
"Compartilhar conhecimento é uma obrigação se você 
não perde com isto e o outro ganha."

Roubo de prestígio
Espalhar boatos sobre alguém, através de má-língua
ou fofoca traz sérios prejuízos para o mercado e para
os bons negócios. A boa convivência é ameaçada 
por este motivo.
Ao dar continuidade à boatos estamos enfraquecendo
as boas relações e estamos atraindo coisas negativas.

  • Tsedaká (caridade) para enriquecer o 'mercado':
Uma Lei que devemos seguir Dina de bar-metza
(um não perde e o outro se beneficia).



Fazer o bem é muito importante e enriquece o mercado, 
atrai coisas positivas e o universo também enriquece.



O livro fala de compreenção e caridade.
Mostra que para alguém ter algo não precisa oprimir 
à outra pessoa.
Deixa claro a relação Ganha-Ganha que pode existir em um
Mercado inteligente e sadio.


O livro também conta muitas histórias lúdicas e interessantes 
onde exemplifica diferentes situações com muito bom humor.
Fonte:http://oqueeuquizer.blogspot.com.br/2009/03/cabala-do-dinheiro.html


"A Cabala do Dinheiro"
Ed. Imago

Segundo o volume de uma trilogia baseada num dito (e jogo de palavras) da tradição rabínica, que afirma: "Uma pessoa se faz conhecida através de seu copo, bolso e ódio" (Kossó, Kissó ve-Kaassó). O primeiro volume, A dieta do rabino - A cabala da comida, dizia respeito ao "copo" e a quão revelador é nosso comportamento em relação aos alimentos que ingerimos. Este segundo volume aborda o "bolso" (Kissó) e suas intrincadas formas de expressar quem somos. Através das questões do bolso, A cabala do dinheiro apresenta uma visão ecológica que não se baseia na Natureza, mas no Mercado. Expõe, assim, a conflitante luta humana pela preservação da Natureza, quando todo esforço cultural e civilizatório se faz contra a Natureza e a favor do Mercado. Nilton Bonder sintetiza a visão que tinham os rabinos, segundo qual a Natureza é bem mais violenta e cruel que o Mercado. Visão esta que entende na cooperação e na solidariedade elementos de transcendência e espiritualidade, que tornam o Mercado e as trocas efetuadas no dia-a-dia um cenário para a expressão religiosa e mística.

Com essa receita, apenas de seu segundo lançamento, A Cabala do Dinheiro, Nilton Bonder vendeu 250 000 exemplares. O livro faz parte de uma trilogia que se completa com A Cabala da Comida e A Cabala da Inveja - este último devorado pelo ex-presidente Femando Collor durante a fase pré-impeachment. O termo "cabala", nesse caso, não tem conotação mágica. Ele significa "recebimento" e designa a forma como os judeus interpretam os textos sagrados, extraindo lições das entrelinhas. Dinheiro, comida e inveja: eis aí três assuntos do cotidiano de qualquer mortal fartamente explorados pelos manuais de autoajuda. Na trilogia de Bonder, no entanto, não há fórmulas para ganhar dinheiro fácil, emagrecer sem sacrifícios ou afastar maus olhados. Com um texto macio, recheado de historinhas saborosas, o autor apenas induz o leitor a refletir sobre esses temas a partir dos ensinamentos do judaísmo. "Quando alguém me pergunta como ficar rico, proponho à pessoa repensar o dinheiro", exemplifica o rabino.

O DINHEIRO SEGUNDO O RABINO
JORNAL DO BRASIL - CADERNO B- 12/JUL/1991


CLEUSA MARIA

A cabala do dinheiro
de Nilton Bonder. 
Imago, 190 p.

É bem mais longa que um braço a distância que vai do coração ao bolso. Os antigos rabinos sabiam disso. Os novos também. Em torno desse velho ditado judaico, o jovem rabino da Congregação Judaica do Brasil, Nilton Bonder, 33 anos, tece alguns dos capítulos de A cabala do dinheiro, que a Imago lançou ontem à noite, na livraria Bookmakers. Este é o segundo livro de uma trilogia que começou com A dieta do rabino - A cabala da comida -, lançado há dois anos e atualmente em sua terceira edição -, e se completa com A cabala da inveja, que estará nas livrarias no final do ano. A exemplo de seus ancestrais, Bonder também acredita na tradição judaica que diz: "Uma pessoa se faz conhecida através de seu copo, bolso e ódio."
A palavra cabala, presente nos três títulos, em hebraico, significa receber. Diz respeito a fluxos e coisas que não devem ser retidos. "O bolso, o copo e a raiva são meios de retenção. E a retenção é problemática, porque, se excede, transborda", expõe o rabino. Com A dieta do rabino: Nilton Bonder chegou ao segundo lugar das listas dos mais vendidos. O livro, embora não tratasse de uma receita de dieta, despertou o interesse de quem queria emagrecer (chegou a ser adotado pelos Vigilantes do Peso), e dos mais esotéricos que, como o autor, também crêem que do corpo se chega à alma e por nenhum outro caminho. "Quem não sabe lidar com o dinheiro, a comida e o ódio, retém o que não é para ser retido", diz ainda. Para ele, o mau uso dessas três formas de trocas pode levar à obesidade dos sentimentos.
Gaúcho de nascimento, carioca de criação e diplomado em engenharia, Nilton Bonder, que atualmente integra o Instituto de Estudos da Religião e o conselho do Pró- Rio para a Rio 92, sabe que está lidando com assunto complicado. Dinheiro é tema problemático para os homens, de modo geral - "falam de dinheiro com o mesmo pudor com que tratam dos assuntos sexuais"-, e para os judeus, particularmente. Afinal, desde a Idade Média, quando foram proibidos pela Igreja de serem donos de terras, os judeus convivem com o estereótipo que associa sua figura ao dinheiro e à avareza. "Esta não é a razão que me levou a escrever o livro. Mas, obviamente, a questão me ocorreu e até me motivou, porque a tradição judaica é extremamente ética e cuidadosa com a questão do dinheiro", ressalta.
O livro apóia-se na estrutura da Cabala, o conhecimento místico da tradição Judaica, e a partir daí desenvolve conceitos como o da acumulação de riquezas em outros mundos. "Muitas vezes, as pessoas passam a vida inteira acumulando riquezas no mundo material, com altos custos para o mundo emocional e espiritual", adianta Nilton Bonder. Na tradição dos rabinos, a lenda da formiga e da cigarra deveria ser contada pelo avesso. "A formiga excede. É um animal que precisa de pouco e trabalha demais. Esse é um problema muito atual. As pessoas lidam com o dinheiro como lidam com a geladeira: para preencher vazios que não querem encarar. "
Em A cabala do dinheiro, Nilton Bonder sintetiza também a visão dos rabinos de que a natureza é mais violenta e cruel do que o mercado. E mais, faz até uma associação moderna entre ecologia e economia: "Temos a sensação de que a grande questão humana do momento é lidar com a natureza de maneira não predatória. Já os rabinos diziam que a grande questão é lidar com o mercado." A ecologia seria um equilíbrio de mercado e não da natureza. "Os bons negócios, aqueles que trazem ganhos para os dois lados, geram abundância sem criar escassez", resume o jovem rabino. Só assim se construiria um mundo menos consumista, onde o trabalho seria menos explorado , e a riqueza mais bem distribuída. "Na ética judaica há um forte componente de fé e crença de que na troca justa com o dinheiro há retomo de riqueza material, emocional e espiritual para todo mundo", acrescenta.
A ética dos antigos rabinos passa ao largo da realidade brasileira: "A situação é aguda. Se as pessoas não perceberem que a relação justa com o dinheiro é que vai trazer riqueza, nunca iremos conseguir uma qualidade de vida que seja boa tanto para os que têm quanto para os que não têm dinheiro. Essa é a verdadeira ecologia de mercado", defende Nilton Bonder com a mesma ênfase com que trata do assunto em seu livro.

Fonte:http://www.niltonbonder.com/port/jornal/dinheiro.htm

Aqui está uma tradição que já existe na Espanha desde o século XII.Para quem é judeu, o tema não apresenta tanta novidade. Mas virou alvo decuriosidade global desde que atraiuestudiosas com a fama de Madonna, Demi Moore e Paris Hilton.Veja como essa sabedoria antiga pode ajudar você também a cuidar melhor do seu bolso.



Primeira parte da trilogia que inclui A Cabala do dinheiro e A Cabala da inveja, em A Cabala da comida o rabino Nilton Bonder discute a questão da obesidade sob uma perspectiva mais ampla, propondo uma reflexão sobre a alimentação como um sistema profundo e complexo.
No livro, o autor aborda, dentro da tradição judaica, especulações e o que realmente se conhece sobre dieta e o simbolismo dos alimentos. São considerados obesos todos os que se encontram insatisfeitos em sua relação com a comida, seja no plano físico, da sociabilidade, das emoções ou do espírito.
Para o rabino, o corpo é um produto cumulativo de nossa história espiritual e emocional – uma boa dieta, em última análise, significa autoconhecimento. Fazer da balança um medidor de fracasso ou sucesso do recebimento de mensagens do mundo espiritual ou físico é um grande erro. Tanto o peso quanto a gordura são efeitos colaterais de questões mal resolvidas em alguma dessas esferas. De nada adianta resolver somente o aspecto estético, é preciso trabalhar o equilíbrio entre mente, corpo e espírito. Assim, chega-se a um resultado duradouro.
Para detectar os maus impulsos e se livrar deles é preciso seguir a fórmula apresentada pelos mestres, composta de três estágios: cabala (receber), no qual nos permitimos viver o desejo de caminhar até a geladeira e abri-la, em vez de lutar contra ele e camuflá-lo; achnaá (domínio/autocontrole), quando lutamos para sobrepujar nossos fantasmas sem o auxílio da comida; e amtaká (adoçamento/purificação), etapa em que promovemos uma transformação, trocando a compulsão alimentar pelo compromisso com uma vida saudável.
Ter consciência da essência energética dos alimentos e de como eles são produzidos, não desperdiçar comida e praticar a moderação à mesa são iniciativas que contribuem para o sucesso na batalha contra a obesidade. A Cabala da comida nos mostra que vida é uma grande dieta, na qual precisamos estar em sintonia com a saúde, em todos os níveis.

Enquanto percorria o extraordinário texto de Nilton Bonder procurava, como é hábito entre os escritores, uma palavra que sintetizasse a emoção desta leitura. Finalmente, encontrei-a: encanto. Sim, o texto me encanta, não se trata de um encanto simples, mas múltiplo, complexo. Como judeu, sinto-me encantado ao ver um rabino, jovem ainda, desvendar numa linguagem simples e ao mesmo tempo poética, a milenar sabedoria do judaísmo, tomando como ponto de partida algo tão prosaico quanto é o alimento. Como escritor, encanta-me ver as metáforas que o tema propicia, a arte da metáfora tendo sido, como se sabe, levada à perfeição pelos mestres hassídicos. Como médico, encanta-me o inusitado da abordagem num assunto que quase sempre é árido. E, finalmente, como leitor comum, é com encanto - com o prazer do texto - que saboreio estas reflexões.
O alimento, diz-nos o Rabino Bonder, representa uma forma de expressão concreta de nossas trocas e se presta como símbolo destas variadas dimensões ou mundos da existência. Em outras palavras: alimentar-se não é uma simples questão de manter o organismo vivo e funcionante. O alimento introduz-nos no complexo mundo regido pela economia das trocas simbólicas; adquire pois uma importância transcendente, como o perceberam uma variedade de pensadores: dos profetas bíblicos aos modernos filósofos (incluindo aqueles dois arautos da modernidade, Marx e Freud), todos se deram conta desta verdade elementar: o relacionamento homem-mundo é um relacionamento oral.
Uma idéia seminal, para dizer o mínimo. São tantas as implicações que dela decorrem, que muitos volumes precisariam ser escritos para esgotar o assunto. Mas o Rabino Bonder tem, entre suas múltiplas qualidades de escritor, uma que é preciosa: sabe sintetizar. Conseguiu condensar, neste pequeno volume, a suma de uma longa meditação. Seu livro é, pois, encantador e é também - não há como fugir desta metáfora! - nutritivo. Saboreiem, pois, este banquete espiritual e intelectual, raro nestes dias de frugalidade criativa.

Moacyr Scliar

Fonte:http://www.niltonbonder.com/port/livros/livros.htm

Enquanto percorria o extraordinário texto de Nilton Bonder procurava, como é hábito entre os escritores, uma palavra que sintetizasse a emoção desta leitura. Finalmente, encontrei-a: encanto. Sim o texto me encanta, não se trata de um encanto simples, mas múltiplo, complexo. Como judeu, sinto-me encantado ao ver um rabino, jovem ainda, desvendar numa linguagem simples e ai mesmo tempo poética, a milenar sabedoria do judaísmo, tomando como ponto de partida algo tão prosaico quanto é o alimento. Como escrito, encanta-me ver as metáforas que o tema propicia, a arte da metáfora tendo sido, como se sabe, levada à perfeição pelos mestres hassídicos. Como médico, encanta-me o inusitado da abordagem num assunto que quase sempre é árido. E, finalmente, como leitor comum, é com encanto - com o prazer do texto - que saboreio estas reflexões.

Primeira parte da trilogia que inclui A Cabala do Dinheiro e A Cabala da Inveja, em A Cabala da Comida o rabino Nilton Bonder discute a questão da obesidade sob uma perspectiva mais ampla, propondo uma reflexão sobre a alimentação como um sistema profundo e complexo.
No livro, o autor aborda, dentro da tradição judaica, especulações e o que realmente se conhece sobre dieta e o simbolismo dos alimentos. São considerados obesos todos os que se encontram insatisfeitos em sua relação com a comida, seja no plano físico, da sociabilidade, das emoções ou do espírito.
Capa da última edição
Para o rabino, o corpo é um produto cumulativo de nossa história espiritual e emocional – uma boa dieta, em última análise, significa autoconhecimento. Fazer da balança um medidor de fracasso ou sucesso do recebimento de mensagens do mundo espiritual ou físico é um grande erro. Tanto o peso quanto a gordura são efeitos colaterais de questões mal resolvidas em alguma dessas esferas. De nada adianta resolver somente o aspecto estético, é preciso trabalhar o equilíbrio entre mente, corpo e espírito. Assim, chega-se a um resultado duradouro.
Para detectar os maus impulsos e se livrar deles é preciso seguir a fórmula apresentada pelos mestres, composta de três estágios: cabala (receber), no qual nos permitimos viver o desejo de caminhar até a geladeira e abri-la, em vez de lutar contra ele e camuflá-lo; achnaá (domínio/autocontrole), quando lutamos para sobrepujar nossos fantasmas sem o auxílio da comida; e amtaká (adoçamento/purificação), etapa em que promovemos uma transformação, trocando a compulsão alimentar pelo compromisso com uma vida saudável.
Ter consciência da essência energética dos alimentos e de como eles são produzidos, não desperdiçar comida e praticar a moderação à mesa são iniciativas que contribuem para o sucesso na batalha contra a obesidade. A Cabala da Comida nos mostra que vida é uma grande dieta, na qual precisamos estar em sintonia com a saúde, em todos os níveis.

Livro: A CABALA DA COMIDA
Autor: Nilton Bonder
Editora: Rocco
Primeira Edição: 2004
Edição Consultada: 2010 
Páginas:144
Formato : 14x21 cm
Resenha publicada no jornal "Folha de S. Paulo" adaptada e ilustrada

Fonte:http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2012/08/a-cabala-da-comida.html



A CABALA DA INVEJA

Quando tive a grata oportunidade de participar, com Nilton Bonder, de uma sessão de leitura bilíngüe de trechos do Eclesiastes (Qohélet), por ocasião do lançamento no Rio de Janeiro de minha "transcriação" desse extraordinário "Poema Sapiencial", surpreendeu-me a disponibilidade do jovem rabino de compartilhar comigo um momento de celebração laica, já que, no que a mim dizia respeito, o objeto por excelência a celebrar-se, naquele momento, era a força poética da palavra bíblica, - do davar hebraico, vocábulo e coisa ao mesmo tempo, e que, nesse sentido, supera as circunscrições do logos grego. É que ao Rabino Bonder, afigura-se-me, importa fundamentalmente a "outridade", a instância do outro, a relação dialógica, e, nesse nível, ele parece ter a nostalgia, a "saudade" (Sehllsucht) buberiana do TU, instaurador dessa relação onde o EU encontra seu devir (Ich wurde am Du / No Tu eu me torno Eu). Assim, a "outridade" (a otredad de Octavio Paz, dimensão tão essencial à poesia como à experiência de nossa humanidade em seu sentido mais profundo) é o grande tema que subjaz a esta Cabala da Inveja, terceiro volume da série que já nos deu A Cabala da Comida e A Cabala do Dinheiro.
Devemos considerar "a condição iterativa do mundo e dos mundos" escreve Nilton Bonder, ao meditar sobre uma passagem polifacetada do sábio setecentista Reb Pinchas de Koretz, resumindo-a, para o leitor de hoje, nestas palavras: "Para podermos modificar uma atitude para com o outro, devemos entender que há um outro em nós e um nós no outro. Se conseguirmos trabalhar e crescer como indivíduos, não só nós nos beneficiaremos, mas o outro em nós também. A visão ou a relação do outro em nós é engrandecida de tal forma que irá, certamente, refletir no elemento nós-no-outro, enriquecendo-o também. E o resultado final desse movimento é a transformação do outro no outro, ou de sua pessoa como a enxergamos." Configura-se, a esta altura, na exposição sedutora de Nilton Bonder, a emergência de uma aparição: advém o anjo da outridade. Em sintonia com esse anjo - ou com essa quadripartite "estrutura angelical" da exegese rabínica, quatro figuras mediadoras que, junto a nós (à frente, atrás, à direita, à esquerda), fazem as vezes de um " outro imaginário" - é que "estaremos numa posição onde é possível ouvir." Pois o anjo é um "emissário" (mal'aq) do diálogo; a mediação angélica, preservadora da "diferença" face ao absoluto, é que "nos retira da solidão sem permitir que percamos a nossa identidade. "
Este volume final da trilogia enfoca a inveja. A inveja como fenômeno animal", pertencente ao mesmo "nicho cósmico" da raiva/ódio (sin'á), em oposição ao amor. Encontro no Qohélet, IV, 4, num versículo que verbera o "...ciúme do homem contra o rival homem", a expressão de algo que fica nessa área semântica. O substantivo qin'á que traduzi por "ciúme", envolve os sentidos de "rivalidade, competição, inveja", supondo-se que deriva etimologicamente da "coloração produzida no rosto pela forte emoção" (interpretação que lhe daria o caráter de um verdadeiro pictograma da pulsão conflitual implícita no conceito). "Ao lidarmos com a inveja" - explica-nos Nilton Bonder, apoiando-se na tradição rabínica - "estamos explorando as fronteiras do ser humano." A essa manifestação negativa que é a inveja, opõe-se, como antônimo, o expressivo conceito de farguinen, que Nilton Bonder extrai da língua iídiche, com o significado de "compactuar com o prazer e a alegria do outro" (eu diria: "comprazer-se com o prazer alheio"), um sentimento que é difícil de obter sem a disciplina que nos educa para ele. E aqui vem um dos trechos mais fascinantes do livro: "Na verdade, o mundo utópico idealizado pelo messianismo, ou pela criação de uma era de entendimento, é constituído de indivíduos que vivem a sensação de farguinen com a mesma facilidade com que nós, em nosso mundo não redimido, experimentamos a inveja." O mundo messiânico do fim da história, o reino da "língua pura" (como diria Walter Benjamim) seria também, como decorre dessa miragem convivial, o mundo do comprazer na outridade.
Tudo isso, e muito mais, nos ensina este livro que, na secular tradição midrashista das parábolas, das micronarrativas aforismáticas, Nilton Bonder entreteceu para nosso comprazimento, e que ele nos convida a percorrer com a bela imagem do pomar de frutos, que são espelhos, e em cujos,revérberos nos reconhecemos sob a forma de reflexos. Comecemos, pois, esta jornada de cintilações.

Haroldo de Campos

Fonte:http://www.niltonbonder.com/port/livros/inveja_haroldo.htm

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